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Calennig - Um Costume Galês de Ano Novo

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  No dia 31 de Dezembro se festeja a véspera de Ano Novo, a Virada do Ano, o Réveillon . No Brasil as pessoas se reúnem com suas famílias, f azem a ceia, brindam com muita alegria,  vestem roupas com cores que acreditam trazer boa sorte, pulam sete ondas no mar e realizam diversas superstições no sentido de buscar um ano melhor. Essa simbiose de festas eufóricas se repete pelo globo de formas e razões diferentes, tomando a ideia e conceito das culturas locais. Uma das datas mais marcantes do calendário contemporâneo, onde percebe-se que cada região do planeta parece convergir em uma egrégora que, para além de festivas, encontra em suas culturas formas de congregar e emanar um tipo de Nwyfre (força ou energia) planetária. Isso não é diferente entre as nações célticas. O Calennig (pronuncia-se KEL-Ê-NIG) é um costume festivo tradicional no País de Gales que comemora o giro do ciclo do calendário comum, fazendo parte das comemorações de finalização do ano. O termo em galês te...

Ciclo III: Reler o Mito com Outros Olhos

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  E se pudéssemos ler o mito sobre uma ótica mais lúdica, retirando os véus seculares que camuflam símbolos tão simples através das alegorias presentes no Quarto Ramo do Mabinogion? Os mitos trazem mistérios em seu interior que os bardos podem traduzir para os que decidem se iniciar neles. Precisa-se de uma chave: sensibilidade. E para isso, é necessário libertar nossa criança interior e não levar muito a sério tudo que ali está escrito, recriando uma narrativa que vá trazer um sentido original e ordenar uma lógica mais brincante, como fazem os contadores de história. E isso que proponho aqui, através de uma releitura mítica que mostra os personagens do conto galês onde Blodeuwedd se apresenta como seres originais da criação e o próprio universo como um grande caldeirão onde somos parte como ingredientes do elixir da vida. O mais interessante a observar é que essas divindades parecem morar no céu, como estrelas e constelações que lembram a Ursa Menor e Maior, Corona Borealis, Plê...

Ciclo II: A Mítica e as Identidades

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  Dialogar sobre fontes e a poética mítica acerca de Blodeuwedd  é como tirar leite de pedras. Embora sua narrativa sagrada e suas referências na oralidade ou tradição sejam poucas, beirando ao mistério sobre essa musa, sempre refiro que a sobrevivência de seu arquétipo parece ser um deleite, ao mesmo tempo em que um grito forte no ar pela feminilidade que divide-se como a filosofia druídica em sábia e selvagem. Nesse ciclo nos aprofundaremos em temas como a histórica tradicional que expressa os elementos da Deusa, o panteão a qual pertence e suas identidades, epítetos, apelidos, títulos ou formas de chamar sua presença de flores. Para tal, num primeiro momento transcrevi os trechos do livro “Mitos e Lendas Celtas: País de Gales” de Angélica Varandas e da obra “A Deusa Branca” de Robert Graves para uma leitura. Após descrevi um pouco do Panteão Britônico ou Galês, com os nomes e breves resumos sobre as divindades femininas e masculinas provindas principalmente dos contos do Ma...

Ciclo I: Os Princípios e as Fontes

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  "White Goddess", fotografia de DevianArt. Quais as fontes de seu saber? Almejo, em primeiro lugar, lhe fazer um convite. Peço que você faça uma pesquisa sobre Blodeuwedd por si só, faça a leitura de seu mito principal, da sua poética divina e das interpretações mundanas que encontrará no percurso. Essa divindade, algumas vezes jogada para escanteio na mitologia céltica – como muitas outras, diga-se de passagem – deve ser lida por você através de uma ótica onde a coloquemos em seu verdadeiro lugar, como a protagonista de sua história e manifestação sagrada. Para isso nada melhor que iniciar com as fontes principais de seu saber, onde seu aspecto foi imortalizado através da narrativa dos bardos. Podemos considerar que Blodeuwedd é uma deusa de matriz cultural celta e provavelmente seja o vulto de antigos ritos à soberania da Terra, ligada ao momento fértil da primavera, no período da Idade do Ferro e do Bronze. Tão antiga quanto outras divindades, celebra em si o feminino...